em ti rasgar a ferocidade espessa dos dias e calar esse sopro lodoso que me desaba sobre os olhos. em ti o fogo respirado da tua boca em chamas. a pele, a minha, água já. em lasciva agoniasobre a pedra. lugar agreste onde recomeças teimosamente a devora sempre inacabada do corpo devassado.
dizer adeus e esquecer tudo. guardar apenas a precaridade da memória. e partir, repetidamente. daí.
depois de mim, outras mãos pegarão nas tuas. não os lábios, que nelas abandonei agonizante. disso retiro as palavras com que me repouso no papel.
do deserto o sopro esfarrapado onde te aprendo a respirar.
entre as paredes desabitadas que somossurgem as palavras que nos secam os lábiose enchem a desolação das noites.fazem-se horas na espera do mar.os ossos sem destino na pedra.
voraz, faminta, a terra,a carne onde enterro gritos de morte na tua respiração enrolados.o silêncio com que te beijo e me levas. pela mão.
na mansa limpidez da noitefazer da tua ausência, o repasto.
lamber a pedra, o musgo. a água, a pele, cortar os pulsos e beber o sangue.com as mãos, trementes, em contemplação.
e ir assimrentejunto ao muro vagueandoprocurando pedras para roer. disso se faz o amor efumar um cigarro, depois.
o rabisco o esboço o desenhoa palavraolhar.te pensar.te. inventar.te.e não conseguir dizerteessa luminosidade com que me machucas . rasgas.
eassim me ficarem ti.