Samstag, April 08, 2006


em ti rasgar a ferocidade espessa dos dias e calar esse sopro lodoso que me desaba sobre os olhos. em ti o fogo respirado da tua boca em chamas. a pele, a minha, água já. em lasciva agonia
sobre a pedra. lugar agreste onde recomeças teimosamente a devora sempre inacabada do corpo devassado.

Sonntag, April 02, 2006


dizer adeus e esquecer tudo. guardar apenas a precaridade da memória. e partir, repetidamente. daí.

Mittwoch, März 29, 2006


depois de mim, outras mãos pegarão nas tuas. não os lábios, que nelas abandonei agonizante. disso retiro as palavras com que me repouso no papel.

Freitag, März 24, 2006


do deserto o sopro esfarrapado onde te aprendo a respirar.

Montag, März 13, 2006


entre as paredes desabitadas que somos
surgem as palavras que nos secam os lábios
e enchem a desolação das noites.
fazem-se horas na espera do mar.
os ossos sem destino na pedra.

Donnerstag, März 09, 2006





















voraz, faminta, a terra,
a carne onde enterro gritos de morte na tua respiração enrolados.
o silêncio com que te beijo e me levas. pela mão.

Montag, März 06, 2006


na mansa limpidez da noite
fazer da tua ausência, o repasto.

Sonntag, März 05, 2006


lamber a pedra, o musgo. a água, a pele, cortar os pulsos e beber o sangue.

com as mãos, trementes, em contemplação.

Samstag, März 04, 2006


e ir assim
rente
junto ao muro vagueando
procurando pedras para roer. disso se faz o amor e
fumar um cigarro, depois.

Donnerstag, März 02, 2006


o rabisco o esboço o desenho

a palavra


olhar.te pensar.te. inventar.te.
e não conseguir dizer
te

essa luminosidade com que me machucas . rasgas.

Mittwoch, März 01, 2006


e
assim me ficar

em ti.